O Brasil se destaca na evolução de proteção de dados: Confira os temas debatidos pelos especialistas no CNPPD 2026
O evento organizado pela Associação Nacional dos Profissionais de Privacidade de Dados (APDADOS), presidida pelo Dr. Davis Alves, referência em Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) no Brasil e no exterior, consolidou-se como um dos mais importantes encontros sobre privacidade, inteligência artificial, governança digital e cibersegurança da América Latina.
Realizado nos dias 08 e 09 de maio de 2026, na Universidade Paulista (UNIP) Campus Norte, em São Paulo, com transmissão para participantes de diversos estados brasileiros e do exterior, o VII Congresso Nacional dos Profissionais de Privacidade de Dados (CNPPD 2026) destacou-se como um marco na evolução da LGPD e na maturidade das discussões relacionadas à proteção de dados no Brasil.
Com o tema “CyberGu3rr@s: Como preparar as inteligências artificiais para colaborar com a TI em tempos de Conflitos Mundiais?”, o congresso reuniu autoridades, professores, executivos, pesquisadores, profissionais de segurança da informação, representantes governamentais e especialistas internacionais para discutir os desafios que surgem em um cenário cada vez mais influenciado por inteligência artificial, guerras cibernéticas, desinformação e soberania digital.
A abertura do evento reforçou a necessidade de preparar organizações, governos e profissionais para um novo ambiente tecnológico, no qual a proteção de dados, a governança da informação e a segurança digital deixaram de ser apenas requisitos regulatórios para se tornarem elementos estratégicos para a continuidade dos negócios e para a estabilidade institucional.
“A Universidade Paulista Campus Norte sedia o CNPPD há três anos, e é uma grande honra receber em nossa universidade importantes nomes nacionais e internacionais. Como instituição de ensino, temos o compromisso de nos manter constantemente atualizados e de proporcionar esse conhecimento aos nossos alunos, contribuindo para a formação de profissionais cada vez mais preparados e qualificados para o mercado.” Salientou Marcello Vannini, CIO Nacional da UNIP.
Entre os destaques da programação esteve a palestra de João Gonçalves, CEO da Protegon, que abordou o tema “LGPD em Tempos de Guerras Cibernéticas”. O especialista demonstrou como a proteção de dados passou a ocupar posição central na gestão de riscos corporativos, ressaltando que organizações preparadas conseguem responder de maneira mais eficiente a ataques digitais e preservar a confiança de clientes, parceiros e investidores.
Na sequência, o Prof. Davis Alves, Ph.D, Presidente da APDADOS e professor da Universidade Paulista, apresentou a palestra “Os 35 Níveis de Ciberataques na Evolução da Inteligência Artificial”. A exposição trouxe uma análise aprofundada sobre a evolução das ameaças digitais impulsionadas por IA demonstrando como ataques automatizados e sistemas inteligentes estão redefinindo o cenário global da cibersegurança.
O caráter internacional do congresso foi evidenciado pela participação do Engenheiro António Pessoa Weya, que apresentou um panorama da proteção de dados em Angola. Também integraram as discussões internacionais, representando a Argentina, Eugenio Diaz e Gustavo Segré, que analisaram os impactos da desinformação, das fake news e da manipulação informacional na sociedade contemporânea, especialmente em contextos eleitorais e geopolíticos.
A relação entre tecnologia, direito e reputação corporativa foi debatida por Dr. Paulo Perrotti e Prof. Me. Edison Fontes, que demonstraram como a reputação digital tornou-se um dos ativos mais sensíveis das organizações modernas. Segundo os especialistas, a integração entre áreas jurídicas, tecnológicas e estratégicas é essencial para prevenir crises e preservar a confiança institucional.
O Prof. Me. Marcos Alexandruk conduziu uma reflexão sobre o tema “Inteligência Artificial ou Humanos: Quem é Superior?”, destacando que a IA deve ser compreendida como uma ferramenta de apoio à tomada de decisões e não como substituta das capacidades humanas relacionadas à criatividade, ética e pensamento crítico.
Já o Prof. Me. Evandro Teruel apresentou “As Novas Profissões em TI Advindas da Inteligência Artificial”, abordando as transformações do mercado de trabalho e o surgimento de carreiras relacionadas à governança de IA, segurança cibernética, análise de dados, automação e ética digital.
Entre os momentos mais aguardados do congresso esteve a aula prática ministrada por Kramer Saunders, que demonstrou como ferramentas de Inteligência Artificial podem ser utilizadas para automatizar ataques hackers em ambientes controlados por meio do Kali Linux. A atividade evidenciou a importância de profissionais de defesa compreenderem técnicas ofensivas para desenvolver estratégias mais eficazes de proteção.
Robério Brum apresentou a palestra “Agile Scrum em Tempos de Guerras Cibernéticas”, demonstrando como metodologias ágeis podem contribuir para a gestão de crises, resposta a incidentes e adaptação rápida diante de cenários de alta complexidade.
Representando a Universidade Paulista, a professora Elisangela Monaco trouxe reflexões sobre “O que Avaliar nas Ferramentas com IA antes da Aquisição?”, destacando riscos relacionados à privacidade, conformidade regulatória, governança e proteção de dados que precisam ser considerados antes da contratação de soluções baseadas em inteligência artificial.
A Presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia Federal do Estado de São Paulo (SINPF/SP), Susanna do Val, apresentou a palestra “A Infiltração do Crime Organizado nas Grandes Cidades Mundiais”, analisando como organizações criminosas utilizam recursos tecnológicos para ampliar atividades ilícitas, lavagem de dinheiro, fraudes e cibercrimes.
A gestão ética de informações estratégicas foi tema da apresentação conduzida pela Profa. Dra. Teresinha Covas e pelo Prof. Me. Robson Vieira, que discutiram os desafios relacionados à exposição de segredos corporativos e à proteção de informações sensíveis dentro das organizações.
A Dra. Ana Canto de Lima destacou a importância da produção científica e técnica para os profissionais de privacidade durante a palestra “A Importância da Produção de Conhecimentos para DPOs”. Segundo ela, os encarregados de proteção de dados precisam atuar também como produtores de conhecimento e agentes de transformação do ecossistema de privacidade.
A internacionalização profissional foi debatida por Carlos Schröer e Claudiane Roesel, enquanto Silvia Brunelli apresentou reflexões sobre os limites e riscos da utilização indiscriminada de ferramentas de IA generativa, como o ChatGPT, ressaltando a necessidade de validação humana e pensamento crítico.
No campo da segurança ofensiva, Joas Santos, da Red Team Leaders, apresentou a palestra “BlackHat: A Escalada da IA para Ataques Globais”, demonstrando como grupos maliciosos estão incorporando inteligência artificial em operações ofensivas cada vez mais sofisticadas.
A Dra. Cristina Sleiman abordou os desafios relacionados à gestão de crises, destacando a necessidade de capacitação contínua, comunicação eficiente e preparação das organizações para responder a incidentes envolvendo vazamentos de dados e ataques cibernéticos.
Outro importante destaque internacional foi o painel conduzido por Marcelo Drago, Presidente da Asociación de Profesionales en Protección de Datos Personales (AGPD Chile), moderado pelo Prof. Davis Alves. O debate apresentou os avanços regulatórios e os desafios enfrentados pelo Chile em matéria de privacidade, proteção de dados e cibersegurança.
A programação prática também contou com a participação do Tenente Marcelo Marcon e de Cesar Bettin, que realizaram uma demonstração sobre técnicas de invasão via hardware, alertando para vulnerabilidades físicas frequentemente negligenciadas pelas organizações.
Encerrando os debates estratégicos, o Painel dos Representantes discutiu o tema “Por que falar sobre Guerras Cibernéticas?”. Moderado por Paulo Emerson, o painel reuniu Joana Madsen, Antônio Andrade, Érico Silva, Anderson Palácio e Monica Cassa. Os participantes analisaram os impactos dos conflitos digitais sobre governos, empresas, infraestrutura crítica, soberania digital e proteção de dados, reforçando que as guerras cibernéticas deixaram de ser uma preocupação restrita aos especialistas em tecnologia para se tornarem uma questão de interesse nacional e internacional.
Além das palestras, o congresso contou com a participação de importantes representantes institucionais. Entre eles, Rubens Freitas Nogueira, Diretor da UNIP Campus Norte; Edson Joaquim, Coordenador da Coordenadoria de Proteção de Dados Pessoais da Controladoria Geral do Município de São Paulo; Marcello Vannini, CIO da Universidade Paulista; e a professora Mirtes Mariano, representando o professor Dr. Mauricio Corrêa, diretor do Instituto de Ciências Exatas e Tecnologia da UNIP.
O CNPPD 2026 demonstrou que privacidade, proteção de dados, inteligência artificial, cibersegurança e soberania digital passaram a ocupar posição estratégica nas discussões sobre o futuro das organizações e da sociedade. Mais do que um congresso técnico, o evento consolidou-se como um espaço de construção de conhecimento, intercâmbio internacional e fortalecimento da cultura de proteção de dados.
Ao reunir especialistas do Brasil, Angola, Argentina e Chile, além de representantes da academia, do setor público e da iniciativa privada, o congresso reafirmou o protagonismo brasileiro nas discussões relacionadas à LGPD e evidenciou que a cooperação internacional será cada vez mais importante para enfrentar os desafios tecnológicos das próximas décadas.
O legado deixado pelo CNPPD 2026 reforça que a proteção de dados, a governança da inteligência artificial e a cibersegurança não são apenas temas do presente, mas pilares fundamentais para a construção de um futuro digital mais seguro, ético, resiliente e preparado para os desafios globais.
Participantes destacam networking, inteligência artificial e fortalecimento da comunidade de privacidade
Além das palestras e painéis, o CNPPD 2026 também proporcionou um ambiente de networking, troca de experiências e fortalecimento da comunidade de privacidade de dados, reunindo profissionais de diferentes regiões do Brasil e representantes internacionais.
Para Luana Minoti, membro da APDADOS e participante do congresso, um dos maiores diferenciais do evento está na capacidade de conectar profissionais e criar oportunidades de negócios em âmbito global. “A conexão proporcionada pelo congresso é uma força que faz a diferença quando atuamos com clientes de pequeno, médio e grande porte fora do Brasil. A privacidade de dados é um tema em alta, e as empresas estão atentas às movimentações do mercado e prontas para investir”, destacou.
Gabriel Veneroso, membro da APDADOS e integrante do Comitê de Segurança da Informação desde a fundação da associação, destacou a evolução dos debates sobre Inteligência Artificial. “Faço parte do Comitê de Segurança da Informação desde o começo da APDADOS e estar aqui em um evento que aborda Inteligência Artificial demonstra como esse tema já é prioridade nacional e internacional. Vimos no congresso representantes de Angola, Chile e Argentina debatendo exatamente sobre isso”, comentou.
Na visão de Rogério Scucuglia, Sócio Fundador e Diretor da LGPD Legal, a convergência entre proteção de dados, inteligência artificial e cibersegurança já se tornou uma realidade inevitável para os profissionais da área. “O CNPPD é conhecido como um dos maiores eventos para profissionais de privacidade de dados e, neste ano, trouxe de forma muito forte os temas de guerras cibernéticas e Inteligência Artificial. As pessoas precisam entender que a IA é uma ferramenta que veio para auxiliar, e não para substituir profissões. Hoje, é praticamente impossível conduzir um bom projeto de proteção de dados sem conhecimento nessas áreas”, explicou.
Representando a Argentina, Eugenio Diaz, do Centro de Estudios en Ciberseguridad y Datos (CECyD), reforçou a importância da cooperação internacional para o desenvolvimento da área. “Este evento é extremamente importante para estabelecer conexões e networking com profissionais de privacidade de dados não apenas do Brasil, mas também de outros países. Participar do congresso reforça a importância da capacitação diante das mudanças futuras que estão acontecendo no mundo. Precisamos trabalhar juntos, atravessando fronteiras, para compartilhar conhecimento e fortalecer os profissionais de todos os países”, afirmou.
A Coordenadora Regional da APDADOS/SP, Monica Cassa, destacou o lançamento de obras técnicas durante o congresso e a importância da disseminação de experiências reais vividas pelos profissionais. “O lançamento do livro no CNPPD está sendo uma oportunidade única proporcionada pela APDADOS e pela Editora Império para compartilharmos experiências que nós, DPOs, enfrentamos diante de tantas mudanças. Poder dividir esse conhecimento na obra e também nas palestras tem sido algo extraordinário”, comentou.
Para Gustavo Pistinili, membro da APDADOS e participante do congresso, a relevância crescente da segurança da informação ficou evidente ao longo da programação. “Mais uma edição do CNPPD sendo realizada com sucesso, demonstrando que segurança da informação e proteção de dados pessoais não são mais temas opcionais, mas assuntos relevantes e vitais para a sobrevivência das organizações”, observou.
A presença do setor público também marcou o evento. Francisco Raildo, representante do Tribunal de Contas do Acre, destacou o valor das discussões para os órgãos governamentais em processo de adequação à LGPD. “É de grande importância estar neste ambiente. Represento o Tribunal de Contas do Acre, que está em processo de adequação à LGPD, e participar deste evento nos aproxima de profissionais que compartilham experiências reais e fortalecem nossos projetos internos”, declarou.
Representando o Chile, Marcelo Drago, Presidente da AGPD Chile – Asociación de Profesionales en Protección de Datos Personales, ressaltou a reputação internacional conquistada pelo congresso. “Este congresso possui uma reputação muito relevante e, por isso, é importante estar aqui, atuando com profissionais do Brasil e da América Latina, compartilhando experiências enquanto Presidente da AGPD Chile. Essa troca fortalece a conexão entre os profissionais latino-americanos”, afirmou.
Entre os participantes também esteve Henrique Rocha, estudante de Engenharia da Computação no Insper e intercambista na Technische Hochschule Ingolstadt, da Alemanha, que participou como voluntário da comunidade Life4Sec. “Estar neste importante evento representa uma grande oportunidade de aprendizado e de manutenção de conexões internacionais. Voltei recentemente da Alemanha e hoje também estou desenvolvendo a Startellite, uma plataforma voltada à conexão entre startups e engenheiros de software”, comentou.
O Presidente da APDADOS, Prof. Davis Alves, Ph.D, destacou a trajetória do congresso e sua contribuição para a internacionalização dos debates sobre privacidade e proteção de dados. “O CNPPD nasceu com a missão de fortalecer os profissionais de privacidade de dados e, ao longo das edições, conectar o Brasil às discussões internacionais, neste ano sobre Inteligência Artificial, cibersegurança e governança digital. Hoje vemos o congresso reunindo especialistas de diversos países, demonstrando que o debate sobre proteção de dados precisa ultrapassar fronteiras e preparar os profissionais para os desafios globais que já estão acontecendo.”
Antonio Andrade, MSc, Representante Regional da APDADOS/SP, também ressaltou a importância do congresso para o desenvolvimento do setor. “O congresso demonstra como a proteção de dados e a cibersegurança se tornaram temas indispensáveis para empresas, profissionais e instituições públicas. O evento proporciona troca de experiências, atualização técnica e conexão entre especialistas que estão construindo o futuro da privacidade de dados no Brasil e no cenário internacional.”




