Participação feminina e economia: por que incluir mais mulheres faz países crescerem mais

Por: Anne Lopes Gomes
A relação entre participação no mercado de trabalho, inclusão econômica e crescimento sustentável tem ganhado espaço crescente na agenda internacional. E um dos economistas que vêm aprofundando esse debate com base em evidências é Diego Braz Pereira Gomes, economista sênior do Fundo Monetário Internacional.
Com uma trajetória que combina academia, setor privado e formulação de políticas globais, Gomes dedica parte significativa de seu trabalho a entender como uma economia mais inclusiva pode transformar sociedades inteiras.
Ao longo de sua trajetória como formulador de políticas públicas, ele tem aplicado modelos macroeconômicos e evidência empírica para quantificar como restrições à participação na economia, em particular no mercado de trabalho, afetam crescimento, produtividade, desigualdade e desenvolvimento econômico.
No FMI, Diego Gomes tem se dedicado em analisar de forma sistemática como a subutilização da força de trabalho, especialmente entre mulheres, limita o crescimento econômico em diferentes regiões do mundo, um tema que vem ganhando cada vez mais espaço no debate econômico global.
Em vez de um único estudo isolado, esse trabalho aparece em uma série de publicações do próprio Fundo, como relatórios técnicos, working papers e capítulos de livros, sempre baseados em dados reais e análises quantitativas aprofundadas. Essas análises utilizam microdados, simulações de modelos complexos e comparações internacionais para estimar como políticas públicas impactam a eficiência das economias e bem-estar das sociedades.
O que torna esses trabalhos especialmente relevantes é a forma como traduzem um tema muitas vezes visto apenas como social em um mecanismo central de desenvolvimento econômico. Na prática, Diego e seus coautores mostram que quando menos mulheres participam na economia, o país inteiro cresce menos. Há menos produção, menos inovação, menor diversificação produtiva e menos dinamismo econômico. Além disso, economias mais inclusivas tendem a ser mais resilientes a choques e mais sustentáveis no longo prazo.
Ao olhar para regiões como o Oriente Médio e Norte da África, esses estudos ajudam a explicar por que economias com alto potencial ainda enfrentam dificuldades para crescer de forma mais acelerada e sustentável. Nessas economias, taxas persistentemente baixas de participação feminina reduzem significativamente o nível de atividade econômica e limitam ganhos de produtividade. Em muitos casos, o desafio não está apenas na falta de investimento ou tecnologia, mas em barreiras que impedem metade da população de contribuir plenamente.
No caso do Egito, analisado em trabalho conduzido no âmbito do FMI, essas restrições são particularmente relevantes. Um dos desafios estruturais está justamente na baixa participação feminina no mercado de trabalho. Mesmo com avanços em educação, muitas mulheres ainda enfrentam barreiras culturais, institucionais e econômicas para entrar ou permanecer no mercado. O resultado é uma economia que opera abaixo do seu potencial.
Modelos calibrados para o Egito mostram que a eliminação de barreiras à participação de mulheres na economia pode gerar ganhos significativos de crescimento, ao expandir a força de trabalho, aumentar a produção e fortalecer o consumo agregado. Também melhora a situação fiscal com o aumento da arrecadação de receitas tributárias.
LINK PARA O TRABALHO SOBRE MENA/EGITO: https://www.elibrary.imf.org/display/book/9798400200038/CH005.xml
Mais do que apontar o problema, o trabalho também ajuda a indicar caminhos. Ao combinar evidência empírica com modelagem econômica, essas análises permitem avaliar quais políticas têm maior potencial de impacto, oferecendo aos governos uma base sólida para pensar políticas públicas mais eficientes e inclusivas. Os resultados desses trabalhos são utilizados em discussões com autoridades governamentais para orientar decisões estratégicas.
No fim, a mensagem é simples, mas poderosa: ampliar a participação de mulheres na economia não é apenas uma questão de equidade. É uma das decisões econômicas mais inteligentes que um país pode tomar.
Seu trabalho mostra que inclusão não é apenas um valor social, mas uma estratégia econômica inteligente.
No fim, a mensagem é clara: quando mais pessoas participam da economia, todos ganham. E entender como viabilizar essa participação é um dos grandes desafios, e também uma das maiores oportunidades, do mundo atual.





