Daniel Barboza conquista título histórico no principal campeonato de judô dos Estados Unidos

O brasileiro Daniel Barboza transformou uma viagem cercada por problemas em uma campanha histórica dentro do tatame. No último dia 10 de maio, em Albuquerque, no Novo México, o atleta conquistou dois títulos no Campeonato Americano de Judô, principal competição da modalidade nos Estados Unidos, e encerrou sua participação com um feito raro, venceu todas as sete lutas por ippon, a pontuação máxima do esporte.
Aos 42 anos, Daniel foi campeão da categoria Absoluto Adulto, considerada a disputa mais importante do torneio por reunir atletas de todas as idades e pesos. Além disso, também garantiu o ouro na categoria M3 Heavyweight, voltada para competidores entre 40 e 44 anos acima de 100 kg.
“Competir no Open é sempre um grande desafio porque você enfrenta atletas muito mais jovens e de estilos diferentes. Conseguir vencer dessa forma foi algo muito especial para mim”, afirmou.
O desempenho chamou atenção entre atletas e treinadores pela consistência apresentada durante toda a competição. Todas as lutas terminaram antes do tempo regulamentar com ippons aplicados pelo brasileiro, resultado que representa domínio técnico absoluto no judô.
Apesar da campanha impecável, os dias anteriores ao campeonato estiveram longe da tranquilidade. Daniel perdeu o voo inicial para os Estados Unidos, precisou remarcar a viagem e quase ficou fora do segundo embarque após um procedimento de segurança atrasar sua passagem pelo aeroporto.
Ao chegar ao Novo México, novos imprevistos apareceram. Um problema na reserva do hotel impediu sua entrada na hospedagem inicialmente contratada. O brasileiro passou horas tentando resolver a situação até precisar reservar outro local para ficar. Durante a viagem, também perdeu um fone de ouvido, esqueceu um casaco no hotel e descobriu que sua passagem de volta havia sido emitida para junho em vez de maio.
“Parecia que tudo dava errado ao mesmo tempo. Sou uma pessoa extremamente detalhista, então viver tudo aquilo foi muito estranho”, contou.
Mesmo com os problemas, Daniel acredita que a sequência de dificuldades acabou ajudando emocionalmente durante as lutas.
“Quando entrei no tatame, senti que toda a tensão acumulada virou energia competitiva. Usei aquilo como combustível”, declarou.
A preparação física para o torneio também foi limitada. Segundo o atleta, devido ao nascimento do seu filho, ele sò conseguiu treinar por menos de dois meses antes da competição, pois a sua mãe veio visita-lo e ajudou com o bebe, e só assim conseguiu tempo para treinar, precisou equilibrar a rotina esportiva com os cuidados da família. Pai de um bebê recém-nascido, Daniel assumiu as madrugadas em casa para ajudar a esposa no período pós-parto.
“Eu quis participar mais ativamente desse momento com meu filho e ajudar minha esposa a descansar. Dormi pouco durante semanas, mas faria tudo novamente”, disse.
Além da rotina intensa, o brasileiro revelou que ainda competiu enquanto utilizava antibióticos, situação que tornou a conquista ainda mais significativa em sua avaliação pessoal.
“Levando em consideração tudo o que aconteceu antes e durante a viagem, essa foi uma das vitórias mais importantes da minha vida”, afirmou.
A trajetória de Daniel Barboza no campeonato já vinha sendo construída há alguns anos. Em 2021, ele participou do USA Senior Nationals e terminou na segunda colocação. Na época, acreditava estar distante do auge competitivo por causa da idade e do tempo afastado das grandes competições.
Agora, aos 42 anos, retorna ao principal palco do judô norte-americano para conquistar justamente a categoria mais simbólica do evento, superando adversários mais jovens e consolidando seu nome entre os principais atletas brasileiros do judô internacional. Esse título o coroa como o melhor atleta de judô dos EUA da atualidade.
“Essa conquista representa muito mais do que medalhas. Representa persistência, família, disciplina e a certeza de que ainda posso competir em alto nível. O que me deu uma energia extra nessa competição foi por ter a colocado como a minha última competição na categoria adulto, por eu já ter uma idade avançada, e eu queria dedicar as medalhas ao meu filhão.
Mas após esse meu desempenho, várias pessoas falaram que eu deveria tentar uma vaga olímpica pelos EUA.” conclui o lutador.




