Experiência de três décadas leva marceneiro a dar nova vida a madeiras carregadas de passado

Por: Daniela Montenegro
A marcenaria contemporânea vem ganhando novos significados quando alia técnica, sustentabilidade e memória afetiva. Nesse cenário, o marceneiro Eliézer Bember se destaca ao transformar madeiras antigas, carregadas de história familiar, em móveis exclusivos que unem design, emoção e consciência ambiental.
Atuando no setor moveleiro desde 1993, Eliézer iniciou sua trajetória ainda na adolescência, no ABC paulista, como aprendiz de marceneiro. Com o passar dos anos, consolidou-se como especialista em projetos personalizados, atuando desde a leitura de desenhos técnicos até a execução e montagem completa de peças sob medida. Hoje, atende um público exigente na cidade de São Paulo, incluindo clientes que buscam exclusividade e discrição.
O diferencial do seu trabalho está na capacidade de ressignificar materiais que seriam descartados. Portas antigas, janelas, assoalhos e até bancos familiares ganham nova função e passam a compor ambientes contemporâneos sem perder sua essência original. Mais do que móveis, as peças criadas carregam narrativas afetivas que atravessam gerações.
“Quando trabalho com madeira antiga, não estou apenas construindo um móvel, estou preservando histórias de família que não podem ser substituídas”, afirma Eliézer Bember.
A prática adotada pelo marceneiro está diretamente ligada ao conceito de upcycling, que consiste em reaproveitar materiais descartados e transformá-los em produtos de maior valor agregado. Além do aspecto emocional, essa abordagem também contribui para a sustentabilidade, reduzindo o impacto ambiental e a necessidade de extração de novas matérias-primas.
“Cada peça reaproveitada representa menos uma árvore derrubada e mais uma história preservada dentro de casa”, destaca o especialista.
Outro ponto forte do trabalho está na qualidade dos materiais antigos, frequentemente superiores aos atuais. Madeiras de lei, já naturalmente curadas pelo tempo, apresentam maior resistência e durabilidade, além de uma estética única marcada pela pátina e pelos sinais do uso.
“Essas marcas do tempo não são imperfeições, são assinaturas da vida. Elas tornam cada móvel absolutamente exclusivo”, explica Eliézer.
Ao longo da carreira, ele também desenvolveu soluções que envolvem diferentes áreas da marcenaria, serralheria e metalon, adaptando projetos complexos para alcançar resultados funcionais e esteticamente sofisticados. Esse domínio técnico permitiu a criação de peças personalizadas para clientes que exigem alto padrão de acabamento, como laca e pinturas em tons exclusivos.
“Meu trabalho é sempre encontrar um equilíbrio entre técnica e sensibilidade, para que o móvel não seja apenas bonito, mas também significativo”, ressalta.
Para Eliézer Bember, a tendência atual do design não está apenas na inovação, mas na reconexão com o passado. Ao invés de descartar materiais antigos, ele defende a restauração e transformação como caminhos para um consumo mais consciente e humano.
“Reutilizar madeira é uma forma de respeitar o tempo, a natureza e as memórias que fazem parte da vida das pessoas”, conclui.





